
A cada dia que passa eu me supreendo mais com a comunicação. No primeiro ano de faculdade ouvi algo como “a comunicação é o quarto poder”. Isso me veio a cabeça essa semana. Tenho ouvido sobre um tal de colheita feliz para cá, colheita feliz para lá, até uma amiga me perguntar se eu fazia parte, e eu sem entender bulhufas perguntei:
- Do que se trata essa tal de colheita feliz?
Imediatamente, toda empolgada e com os olhinhos a brilhar, ela me explicou que se tratava de um jogo disponivel no orkut onde você monta uma fazenda, planta, colhe , compra gado, mata animais para vender a carne, rouba a colheita do amigo ou simplismente o ajuda a cuidar dela, e assim por diante, de modo que você adquira moedas mediante compra e venda do gado, de suas carnes, da colheita em geral.
Tummmmm !
Pois é . Muito legal. E daí? Fui obrigada a ouvir – não da minha amiga – um sonoro “eu não tinha nada pra fazer, fiquei a tarde inteira roubando a colheita dos outros, matando e vendendo meu gado, meus porcos…”
Quem me conhece deve imaginar como eu fiquei. Não tenho como descrever a perplexidade que minha alma experimentou. Eu sei, eu sei que não posso sair por ai vomitando minha revolta em relação a alienação que algumas pessoas se deixam povoar. É claro que sugerir um bom livro seria um tremendo clichê e soaria pseudo intelectualismo de minha parte, enfim isso não vem ao caso.
Já não basta morar em uma cidade onde a cultura imperante é a da micareta, exposição e festa de peão – nada contra, eu juro – ainda tenho que me deparar com essa tal de colheita feliz? Feliz para quem?
Será que as pessoas não se dão conta do tempo que isso toma? E não é só isso. Colheita feliz trata-se de um jogo, assim como todos os jogos. É a corrida para o nada. Acumula-se fases, moedas e assim gradativamente.
Colheita feliz simula uma realidade. Lá você tem as obrigações de um fazendeiro. Precisa plantar, cultivar, matar o gado, os animais em geral para comercializar sua carne (para mim essa foi a pior parte, e olha que não sou vegetariana). É um jogo alienativo, que faz com que acreditemos que estamos nos socializando. E estamos, com um aplicativo, que nos oferece uma realidade totalmente pronta, onde precisamos apenas colocar as coisas em seus devidos lugares. O que mais me impressiona são os sites, blogs e outros, diponíveis com dicas de como jogar esse “brilhante” jogo.
A tecnologia é uma ferramenta de comunicação que vai além do nosso entendimento. É inaceitável para mim, o uso da tecnologia para o fim único de divertir. Acredito que para que algo funcione e contribua socialmente, oferencendo poder de decisão e formação de opnião, precisa estar além do simples objetivo da diversão. Se divertir é ótimo desde elucide uma consciência, uma ideia, enfim, algo de útil.
Assim como a colheita feliz, os reality shows estão ai para única e exclusivamente nada. O que há de interessante entre 10, ou 12 pessoas dividindo um belo espaço, usufruindo de conforto e dificuldade previsível? Não há nada de interessante, a não ser para eles que saem de lá com dinheiro, carros, prêmios e além disso faz com que as emissoras arrecadem a cada “show” pelo menos uns OITO MILHÕES por semana, com ligações. E de quem são essas ligações?
Não há limites. “Se não podemos mudá-los junte-se a eles.” É assim que pensam as mídias. A liberdade tão desejada outrora, impera hoje sim. Quem pode dizer o contrário? Podemos falar o que pensamos em qualquer lugar, consumimos exatamente o que impõe nossas vontades, vontades construidas e ordenadas pelas mídias. Essas que nos oferecem os reality shows, a colheita feliz, a fazenda.
Somos constantemente chamados de idiotas, no entanto, nem nos damos conta disso. Claro, afinal para que a mídia quer que pensemos? Bobagem! Vamos deixar a mídia, os meios de comunicação – para não dizer o gorverno, e isso acabar sendo um relato ideológio – pensar por nós, afinal, pensar é uma coisa tão chata, trabalhosa e toma tanto tempo.
Vivemos uma necessidade desenfreada de consumo. Consumimos mais do que o mundo pode oferecer. O tempo é cada vez mais escaço. Já não temos tempo de frequentar a casa das pessoas, é mais facil adiciona-la no msn, do que andar 2 quarteiroes. Longe de ser uma crítica a tecnologia, afinal, sou uma usruária assídua do orkut, blogs, e-mails, msn, mas acredito ainda no olho no olho. Proponho uma utilização consciente da tecnologia. Uma espécie de dominação sobre a máquina e não uma escravidão invísivel de nós. Mas não é uma propostas coletiva, uma obrigação, uma imposição. É mais. Trata-se de uma consiência de si mesmo, individual, pessoal. Uma forma de se olhar e ver de fato, removendo essa névoa de ilusão que muitas vezes toma conta de nossos “quereres”.
Poético demais talvez. Mas a questão maior é manter e deixar aflorar cada vez mais nossa sensibilidade de compreender a tecnologia como motivadora de um processo de transformação único, que torna nossas ações sensíveis a nós mesmo e ao outro, de forma que essa tranformação provoque significativas e notáveis mudanças de comportamento. Comportamento esse necessário para uma sociedade igualitária e justa.
Ideologia? Não ! Apenas uma opnião!
Tenho dito !
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